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Uma nova visão
Minhas entrevistas para o TCC têm sido ótimas. No início eu tinha uma visão um pouco negativa, achava que uma mulher ser pesquisadora, implicava em um grande sacrifício, porque sofreria preconceito e enfrentaria obstáculos diversos, devido às Desigualdades entre homem e mulher, para conciliar a carreira de cientista com o papel da mulher no cotidiano. É impressionante a quantidade de Publicações existentes a respeito desse tema, uma delas, é o livro O laboratório de Pandora, de Fanny Tabak, uma das referências para o meu trabalho.
Como li várias dessas publicações, especialmente sobre os Preconceitos enfrentados nessa área, parecia-me, que a maioria das pesquisadoras, principalmente, as que iniciaram a carreira na década de 70/80, teriam passado por esse tipo de dificuldade. A Eliane Freire (minha orientadora) chegou a comentar que minhas perguntas tinham um tom negativo. Eu as modifiquei, mas, inconscientemente, ainda tinha essa impressão.
Mas tenho me surpreendido. Durante as entrevistas que fiz até agora, quase todas as cientistas, que iniciaram suas carreiras entre 70/80, não passaram por nenhum tipo de situação que as prejudicasse ou impedisse de executar suas atividades. As brincadeiras ou piadas que ouviram nunca foram relevantes, ao contrário, as divertia. É claro, que não é um número de mulheres suficiente para dizer que o preconceito não exista, e, nem estou afirmando isso.
Quanto à vida pessoal, é uma questão de escolha. Algumas conseguiram conciliar casamento e filhos. Outras optaram por não casar nem ter filhos. Outras casaram, tiveram filhos e separaram em função da carreira. Todas admitem, o equilíbrio não é fácil.
Escrito por Adriana Oliveira às 21h57
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Cientistas: Imagem estereotipada
Em minhas pesquisas sobre o universo dos cientistas, encontrei essa publicação de 1998, Ciência e Educação - O Conflito Humano Tecnológico, do historiador da ciência Leopoldo de Méis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que reforça como a imagem do cientista como um maluco ainda é muito forte.
No capítulo A Visão da Ciência por Crianças e Adolescentes, Meis mostra os resultados de pesquisas que realizou no Brasil, nos EUA, França, Itália, México, Chile, Índia e Nigéria, com estudantes de três faixas etárias, 5 a 7, 10 a 13 e 15 a 17 anos. Como havia crianças que não saberiam se expressar de forma clara escrevendo, ele pediu a todos os pesquisados que desenhassem um cientista.
Resultados como o da ilustração abaixo mostram como essa visão ainda é extremamente estereotipada. Quase todos os desenhos foram de um homem (onde estão as mulheres??!!), de jaleco branco, trabalhando em um laboratório. Como os desenhos de todos os países, foram muito semelhantes, o historiador não acredita que o fator cultural possa influir na imagem que os jovens tem dos cientistas.

Escrito por Adriana Oliveira às 19h57
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